Situações do credor
Precatório entra na partilha do divórcio?
Crédito a receber é patrimônio e, dependendo do regime de bens e do período em que se constituiu, é partilhável. O que costuma decidir a questão.
Publicado em · por precatorio.com.br
Precatórios demoram tanto que atravessam casamentos inteiros. Não é raro que o direito se constitua numa fase da vida e o pagamento ocorra em outra, com a situação familiar completamente diferente. Daí a pergunta.
Precatório é patrimônio
O ponto de partida é que crédito a receber tem valor econômico e integra o patrimônio, ainda que o pagamento seja futuro e incerto quanto à data. Não é diferente, nesse aspecto, de qualquer outro direito patrimonial.
As duas perguntas que decidem
- Qual o regime de bens? Comunhão parcial, comunhão universal e separação produzem resultados distintos.
- Quando o direito se constituiu? A referência costuma ser o período a que o crédito se refere — as parcelas ou o fato gerador —, e não a data do pagamento.
Um exemplo esclarece: diferenças salariais relativas a anos de trabalho durante o casamento tendem a ser tratadas como formadas naquele período, ainda que a sentença e o pagamento venham depois da separação.
A discussão sobre natureza alimentar
Créditos de natureza alimentar suscitam argumento adicional: seriam personalíssimos, destinados à subsistência de quem os recebe, e por isso incomunicáveis. O contra- argumento é que, uma vez constituídos na constância da união, integram o patrimônio comum como qualquer outro fruto do trabalho.
É ponto que depende do caso concreto e da orientação aplicável, e não comporta resposta única — razão pela qual vale examinar a situação específica com um profissional.
Como operacionalizar
- Identifique o período a que o crédito se refere na sentença e na memória de cálculo.
- Confronte com as datas do casamento ou da união.
- Defina a partilha — por acordo ou decisão — indicando a proporção de cada parte.
- Habilite o ex-cônjuge nos autos do precatório, se a divisão for do próprio crédito, para que o depósito seja feito diretamente.
Uma alternativa prática
Dividir o crédito significa manter duas pessoas vinculadas por muitos anos a um mesmo processo. Quando há outros bens, é comum compensar: um fica com o precatório integral, o outro com bem de valor equivalente. Para essa conta ser justa, é preciso estimar quanto o precatório vale hoje, e não pelo valor de face — use o simulador de valor presente.
Perguntas frequentes
- O que define se o precatório é partilhável?
- Principalmente o regime de bens e o momento em que o direito se constituiu. Crédito referente a período anterior ao casamento tende a ser considerado particular; o formado durante a convivência, comunicável nos regimes de comunhão.
- Importa que o pagamento só ocorra depois do divórcio?
- Em regra, o que importa é quando o direito se constituiu, e não quando o dinheiro entra. Crédito formado na constância da união pode ser partilhável ainda que pago anos depois da separação.
- Como se divide na prática?
- Definida a partilha, o ex-cônjuge pode ser habilitado nos autos do precatório na proporção que lhe couber, para receber diretamente. Alternativamente, a partilha pode ser ajustada com outros bens.
Fontes
Toda afirmação normativa deste texto vem de um destes documentos. Consulte o original antes de decidir.
- Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015) — Planalto
- Constituição Federal, art. 100 (regime de precatórios) — Planalto
- Resolução CNJ 303/2019 — gestão de precatórios e RPVs — Conselho Nacional de Justiça
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